Neste processo de reinvenção da clínica, o conhecimento psicanalítico intervém com uma escuta, com um ideal de se conseguir pensar algo que não seja apenas o manifesto do processo patológico.
Dessa maneira, o psicoterapeuta pode exercer uma assistência diferenciada ao sofrimento psíquico. Através de uma disponibilidade emocional em reconhecer que toda a interpretação no outro é sempre determinada por um conhecimento prévio de si mesmo.
A intensa reflexão a respeito destas manifestações é uma abertura para a percepção da capacidade criativa transformadora do sujeito que só aflora em um ambiente de confiança mútua.
O sujeito diante de pressões emocionais intensas sente-se impedido de dar continuidade em sua rotina e por falta de uma estrutura interna, familiar e social à crise, desencadeia processos como: surto psicótico, tentativa de suicídio e uso abusivo de substâncias químicas e outros, sendo todas essas manifestações um pedido de ajuda. Penso que é importante destacar aqui a necessidade do percurso para avançar nas descobertas de novos caminhos para interpretar o processo em que envolve a loucura.
É necessário ter disponibilidade à desacomodação das idéias aos sentimentos, passando ambos, terapeuta e paciente, por momentos de incômodos e insegurança.
A experiência do saber fazer-se amigo, é o território da semelhança da possibilidade de interiorizar-se no outro.
Uma pessoa que tem algo a dizer de diversos modos de expressão emocional (diferente da comunicação e da linguagem cotidiana) necessita de um “bom ouvinte e de um bom observador”.
A intervenção de um trabalho interdisciplinar permite uma compreensão da psicodinâmica da vida do paciente, promove um efeito terapêutico transformador para o paciente em seu contato com a subjetividade e o seu estar no mundo.
Guimarães Rosa acreditava que só podemos viver perto do outro, sem o perigo do ódio, se formos capazes de amá-lo. Para ele, “qualquer amor, já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura.”
Máyra Gatti